Metáforas para ouvir
- Lucas Avelar V. Rodrigues
- 21 de mar. de 2019
- 1 min de leitura
O psicanalista francês Pierre Fédida dizia ter um critério curioso pra receber ou não novos pacientes em análise. Ele colova a si mesmo a questão: terei, eu, a metáfora para escutá-lo? Lendo essa sua ideia mais uma vez, me lembrei de história.
Certa vez, durante uma sessão um tanto desassossegada, citei a uma paciente uma frase do Guimarães Rosa: "todo abismo é navegável a barquinhos de papel". Pouco tempo depois, a figura do barco passou a fazer parte das nossas conversas, sendo usada por ela pra me dizer como se sentia (ora sozinha demais, em alto mar, ora invadida demais, no continente). Com efeito, essa metáfora parecia salvá-la de uma sensação terrível que a fazia se rasgar e que aparecia nos momentos de isolamento. Em momentos difíceis, ela me enviava pelo whatsapp: "estou em alto mar". E, assim, por se sentir escutada, já não estava tão sozinha mais.



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