Em nome da razão
- Lucas Avelar V. Rodrigues
- 18 de mai. de 2020
- 1 min de leitura
Hoje é dia da luta antimanicomial. Luta árdua travada por uma geração de cidadãos contra uma política de segregação difícil de reconhecer, uma vez que tinha como rótulo o nome "tratamento". Quão difícil é acreditar nos horrores infligidos 'em nome de razão'! Aliás, este é o nome do importantíssimo documentário de Helvécio Ratton (1979) sobre o Hospital Colônia de Barbacena, onde desembarcava o trem de doidos (expressão originária deste período) e desciam pessoas pra acabar de perder sua última gota de cidadania. Pra quem não conhece a história, essas palavras podem parecer exagero, mas elas se tornam insuficientes demais logo que se lê o documento sobre a instituição do "leito único" (substituição das camas das enfermarias por capim, como forma de alojar mais "pacientes"), onde muitos morriam esmagados durante a noite, sobre o esgoto ser fonte de água para beber, sobre corpos desintegrados por ácido, pois os laboratórios de anatomia das faculdades já estavam lotados. Um verdadeiro extermínio foi o que ocorreu logo ali em Barbacena/MG e em outros manicômios do país. Que tenhamos estômago para ler o "Holocausto Brasileiro", de Daniela Arbex (2013), e assistir o documentário de Ratton quantas vezes for necessário. Essa luta é pra sempre.
[Texto original publicado em @travessias.psicanalise]
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