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A máscara que você habita

Recentemente, assisti “The Mask You Live In” (2015), de Jennifer Siebel Newsom. A indicação deste excelente documentário veio de um paciente que tem travado uma batalha pessoal contra uma introspecção importante, que o impossibilita de sentir-se participando da própria vida em vários momentos. Resumidamente, o filme retrata o processo de hipermasculinização dos meninos e suas consequências para os homens e para a sociedade. “Seja homem”, “está parecendo uma mulherzinha” e “homem que é homem não chora” são algumas das frases que marcam a vida de todos nós, homens, o que faz parte de um ‘treinamento’ para se tornar macho, gerando ao menos dois resultados diretos: a rejeição de nossos sentimentos e uma visão inferiorizada das mulheres. Na nossa cultura, o que define um homem? Nos filmes, a imagem sempre é de alguém forte, viril, destemido, decidido, potencialmente violento, sempre disposto ao sexo, que não chora ou expõe qualquer fraqueza, que não tem frescura, que não possui nenhum traço ou comportamento delicado. Portanto, meninos, essa é a referência, o modelo! Agora, tornem-se tudo isso! Aprendam a engolir o choro, a fazer escolhas sem vacilar, a passar por cima do que te impede de conquistar seus objetivos, a não fazer papel de mulherzinha. Ou seja, deem um jeito de excluir das suas existências a dor, a dúvida, o desânimo, o cansaço etc. E protejam ‘suas’ mulheres, pois elas sim são frágeis e homem que é homem faz o que a vontade manda. “If you men only know”! De tão subjugadas, as mulheres deram um passo pra fora dessa enrascada. Recusaram o estigma de sexo frágil, queimaram seus sutiãs, estão aos poucos conquistando alguma liberdade sexual e já não se sentem muito mais pressionadas pelo quê pensamos delas.


E nós? Somos tantos e será mesmo que temos que ser todos iguais? Já não está na hora de falar de masculinidades ao invés de falar do masculino? Não há lugar ao sol para os menos viris, para os delicados e para os sensíveis? Vamos continuar nos silenciando, tentando apagar os afetos do corpo? Vamos continuar dentro da máscara do masculino, fingindo que não somos tão inseguros quanto qualquer criança frente aos mistérios da vida? Ok, sair não é fácil, mas a jornada será longa e já estamos atrasados. Para uma vida nova, distante dos terríveis efeitos do machismo, só o feminismo não vai bastar. A diversidade dos homens há de ter seu espaço.




 
 
 

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