top of page

8 de março

Atualizado: 5 de abr. de 2022

O dia da mulher não foi criado para parabenizar as mulheres. Não tenho nada contra flores e mimos, mas é preciso que o símbolo não se perca em seu sentido inaugural, pois ele ainda é bastante importante.

Uma busca simples e rápida na internet pode nos mostrar que a data faz referência às mortes e aos abusos cometidos contra todas as mulheres. Portanto, nada de festa. Antes, é preciso parar para refletir sobre o papel do machismo na nossa sociedade, visualizando o quanto ele ainda é expressivo e a violência de gênero que dele decorre. Segundo a ONU, 7 em cada 10 mulheres foram ou serão violentadas em algum momento da vida. Não há como não se espantar com esse dado.


Com relação à psicanálise, é preciso reconhecer o uso equivocado que é feito da nossa disciplina e que acaba por favorecer a manutenção da violência doméstica contra a mulher. Alguns, "bem intencionados", chegam a afirmar que as mulheres que apanham dos maridos gostam de apanhar. Há violência maior do que dizer que a vítima escolheu ser vítima? Há aqui um uso errado e perverso da psicanálise. Como dizer isso quando a mulher não vê saídas possíveis, quando não consegue se esquivar deste destino terrível? Afirmar a escolha e, portanto, a liberdade antes de um tratamento é condenar a pessoa por tudo que lhe ocorreu e nada mais. A psicanálise não pode se prestar a isso, não pode se entregar a um moralismo que imobiliza. Nosso papel é justamente o contrário: acolher as pessoas que se sentem afuniladas em seu destino, que não visualizam outros caminhos possíveis e ir com elas até o ponto em que a liberdade retorna e tudo pode ser transformado.

A violência contra a mulher pode até ser, em alguns casos, uma questão a ser encaminhada para a clínica, mas não pode se resumir a isso. O ponto central é outro.


Neste dia, não existe nada a ser dado às mulheres. Não é dia de presentes. Resta-nos apenas aprender a escutar suas vozes, cada dia mais, sem recuar.




 
 
 

Comentários


Av. Getúlio Vargas, 1420 - sala 1305

Savassi - Belo Horizonte 

(estacionamento para clientes)

Avelar Rodrigues 2020

bottom of page